Capital bósnia tem muito para mostrar
Mesquitas, igrejas, largos e esplanadas são os cartões de visita de Sarajevo.
"Musej". A palavra significa museu e está escrita na parede de um dos edifícios emblemáticos de Sarajevo, a capital da Bósnia-Herzgovina. Foi na esquina onde está situado o "musej" que foram assassinados, a 28 de Junho de 1914, o Arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-Húngaro, e sua esposa, Sofia, crime que fez eclodir a primeira Guerra Mundial, entre 1914 e 1918.
Sarajevo é, assim, uma cidade cheia de história. Antiga e recente. A tragédia marca a capital da Bósnia-Herzgovina e essa realidade fica patente assim que se sai do aeroporto. Os buracos das balas da guerra civil que assolou o país, entre 1992 e 1995, fazem parte da arquitectura dos prédios. É impossível ficar indiferente a este cenário. São as cicatrizes do conflito. Porém, tudo melhora, e muito, quando se chega ao centro da cidade, entretanto reconstruído.
Inúmeras esplanadas polvilham a zona central, onde se pode sentir o pulso da cidade. Ali
vislumbram-se as três etnias existentes na cidade: bósnios-muçulmanos, sérvios bósnios e croatas bósnios. Os primeiros, a maioria, são mais facilmente identificáveis, sobretudo as mulheres, com o seu tradicional lenço na cabeça. Olhando para o lado, estão os sérvios ou os croatas com uma indumentária bem mais europeia. Mais liberal.
A diversidade étnica de Sarajevo fica bem patente nas mesquitas e igrejas, ortodoxas ou cristãs, que existem na capital bósnia. Edifícios religiosos de uma beleza rara e que agradam aos mais variados gostos.
Nas mesquitas os muçulmanos rezam. O ritual é tão comum que, por instantes, parece que se está fora da Europa. A Mesquita do Imperador merece uma visita. Assim como o Bazar. O comércio de artesanato, metal, peles, calçado e vestuário faz-se nas ruas estreitas que costuma desembocar em bonitas pracetas. A maior parte do que se vende apenas serve de recordações, mas nada falta. Nem as camisolas dos dois novos heróis bósnios, os futebolistas Dzeko e Misimovic, campeões da Alemanha pelo Wolfsburgo.
Assentam-se os pés na terra regressando à Europa de Leste, ao assistir aos jogos de xadrez em tamanho gigante muito concorridos e levados a sério pelos habitantes locais. Apenas duas pessoas jogam, mas a plateia está sempre muito composta e quase todos dão a sua opinião. Imperdoável é não ir à Igreja de Santo António.
Nas margens do rio
É ao longo do rio Miljacka, o qual atravessa a cidade, que está a grande vida de Sarajevo. Cafés, esplanadas e uma noite já animada são alguns dos cartões de visita da capital bósnia. Os eléctricos, cujas linhas são paralelas ao rio, são autênticas relíquias. Não são tão antigos como os mais velhos de Lisboa ou do Porto, mas já têm uma idade considerável. Para quem gosta de se divertir à noite existe já um razoável número de discotecas e bares. Sarajevo não é propriamente uma cidade cosmopolita, mas o METRO cruzou-se com muita gente não indígena, como um grupo de portugueses que discutiam os atributos físicos de uma rapariga local.
Pitas, pratos que misturam várias carnes com cebola e queijo e peixe do rio fazem parte da gastronomia local, que também é de boa qualidade.