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Arquivo de Dezembro, 2009

madeirafunchal thumb Madeira: A grande festa portuguesa madeira, funchal 2
madeira, funchal 3 madeira, fogo de artifício 2
madeira, fogo de artifício madeira, fim do ano

A constar no Livro do Quiness como a maior festa de pirotecnia do mundo, o Rêveillon na ilha da Madeira é, sobretudo, o orgulho de todos os portugueses, quando comparando com outras famosas festas espalhadas pelo planeta.

Tanto a encosta como a Praia do Funchal, em toda a sua extensão, enchem-se de brilho e cor, deixando todos os presentes deslumbrados. Há mesmo cruzeiros a passarem a noite atracados na baia da capital unicamente para os seus passageiros poderem viver aquela idílica noite madeirense. Com explosões de se ouvirem um pouco por toda a ilha, o fogo–de-artifício pode ser apreciado ainda melhor nas zonas mais altas. Por isso, privilegie a localidade do Monte, onde terá a oportunidade de se deslumbrar ainda mais com o que a ilha tem de melhor para oferecer naquela noite. Só mesmo vendo para crer!

Madeira Fogo de Artifício

Enquanto percorríamos o caminho de pedra ao longo do Tejo interrogávamos-nos: “Mas será que a câmara construiu este soberbo paredão só para po­dermos caminharAlmourol thumb Os trilhos do Tejo ao longo do rio?!” Parecia corresponder a um enorme e exagerado investimento para um simples trilho pedestre, coisa que não estamos habituados a ver. E, na realidade, esta não foi uma construção recente com este propósito. Foi sim, o excelente aproveitamento que a Câmara Municipal de Nisa fez, em conjunto com outras entidades de um velho muro de sirga que servia para rebocar rio acima, a partir da margem, os barcos até Vila Velha de Rodão. Hoje, podemos caminhar neste troço duran­te três quilómetros,a partir da Barca da Amieira ate à barragem de Fratel. O caminho é muito bonito sendo a paisagem uma transição entre o nosso sul e o nosso norte, entre o Alentejo e a Beira Baixa.

Na margem norte, corre a linha férrea. Antiga­mente (até muito recentemente), o comboio parava neste apeadeiro para os passageiros descerem e acederem à margem sul e daí até à Amieira, mais isolada. O rio era atravessado por uma barcaça e daí o lugar se chamar a Barca da Amieira. Foi aqui que começámos o nosso percurso pedestre (PR1). No parque de estacionamento, um painel interpretativo dá-nos as informações essenciais: um percurso circular de dificuldade média, com 12,6 kms de comprimento e a realizar em, aproximadamente, 3 horas e meia. Tem também o mapa e dá-nos outras informações que, não sendo essenciais, nos enriquecem o passeio. Uma delas é a história que dá o nome ao nosso percurso pedestre, o Trilho das Jans.

As Jans eram umas mulheres invisíveis que fiavam um linho muito fino e sem nós. A lenda dizia que, “quem quisesse uma peça tecida pelas Jans teria que deixar deTejo thumb Os trilhos do Tejo noite o linho e um bolo de farinha de trigo a cozer na lareira. Terminado o trabalho, estas desapareciam misteriosamente levando consigo o petisco”. Conta-se também que, depois de morrer em Estremoz, o corpo da Rainha Santa Isabel, casada com D. Dinis, foi transportado desde a Amieira até aqui trajando um vestido de linho tecido pelas Jans. Caminhámos ao longo do nosso maior rio mas, no sentido contrário ao da corrente. Nesta sec­ção, as águas têm movimento, inclusivamente um rápido, e sugerem-nos um passeio combinado a pé e de caiaque, talvez numa próxima opor­tunidade. O caminho é exposto e, de vez em quando, no outro lado do rio, passa um comboio. Não sabemos se os passageiros nos vêem mas dizemos “adeus” na mesma. Imaginamos as pes­soas lá dentro, felizes na sua viagem panorâmica de comboio. Nesta parte do percurso há poucas sombras mas acabámos por encontrar um bom local para o pic-nic. Ao contrário do Tejo mais conhecido, onde as suas margens se perdem na extensão das lezírias, aqui o rio é estreito e as su­as margens são rochosas e inclinadas. As Portas de Ródão, a montante da barragem de Fratel, são o melhor exemplo deste fenómeno geológico. A cerca de 3 km do início, o paredão desaparece e dá lugar a um trilho mais desordenado pelo meio de pedras. Continuámos mais um pouco até avistarmos a ribeira de Figueiró. Aqui, deixámos de ver o trilho e subimos até uma pequena casa de pedra. Parámos para descansar um pouco e imaginámo-nos ali dois dias em contemplação. A vistaReserva Tejo para o Tejo era desafogada e bonita. Con­tinuámos pela subida a pique que mais parecia um corta-fogo. Do lado esquerdo, ao fundo, estava a barragem de Fratel e a albufeira por si formada. Num ponto mais acima, ofegantes, encontrámos outro painel interpretativo onde confirmámos a nossa localização. Aproveitámos para descansar. A partir daqui, caminhámos mais no Alentejo, por entre campos de pasto, azinhei­ras e sobreiros. Ainda apanhámos uma boleia dum tractor mas antes da Amieira pedimos ao condutor para parar. Nós queríamos mesmo era caminhar. Chegados à extremidade norte da Amieira, à estrada de alcatrão, virámos à direita e andámos até o sinal de trilho pedestre nos indicar a saída à esquerda, novamente para o caminho de terra. Descemos e, do lado esquerdo dum gancho, pudemos ver ao longe o castelo da Amieira, outra das atracções que merece ser visitada. Acabámos finalmente no nosso ponto de partida, a Barca da Amieira.

Quando, em Agosto de 1999, partiu com a sua BTT para a Volta ao Mundo, Filipe Palma nunca imaginou apaixonar-se por um país e por um povo como aconteceu no Nepal. Para além disso, caminhar, remar ou pedalar são sempre bons pretextos para ir ao Nepal!

No Nepal, não se trata apenas de avistar as montanhas mais altas do mundo e que, por ano, atraem milhares de caminhantes e centenas de alpinistas; não se trata apenas de descer rios vertiginosos e emocionantes que fazem a delícia de pessoas de todo o mundo que aqui vêm fazer rafting e canoagem; não se trata apenas deeverest thumb Himalaias visitar maravilhosos templos budistas e hindus, alguns deles milenares. Trata-se também de contactar com um povo que, embora seja um dos mais pobres da Ásia e do mundo, nos presenteia sempre com um sorriso; que parece viver sempre do improviso mas faz as coisas acontecerem; que parece estar sempre bem com as circunstâncias e nos faz interrogar se o conceito de felicidade é ou não relativo. As caminhadas, geralmente, duram vários dias e a grande parte dos trilhos são utilizados por humanos há milhares de anos. E por isso uma excelente forma de contactar com os habitantes locais. Nestes caminhos existem casas adaptadas aos turistas onde estes podem pernoitar e tomarem as suas refeições. Há também outros caminhos que, só mais recentemente, são utilizados pelos alpinistas nas suas aproximações às grandes montanhas. Alguns não têm os mesmos apoios logísticos e é preciso acampar e levar a nossa própria alimentação. A água existe em abundância mas devemos sempre filtrá-la e tratá-la ou fervê-la. Podemos, quando optamos por caminhar em zonas mais inóspitas, contratar a ajuda de carregadores. Além de nos ajudar e tornar possível a nossa aventura, é uma forma de estimular a economia local. As melhores épocas para ir ao Nepal são o Outono e a Primavera. Em Setembro, terminam as chuvas das monções e os campos ficam verdejantes. Durante Outubro e Novembro a temperatura do ar mantém-se muito agradável para as actividades de ar livre. 0 mesmo se passa em Março e Abril antes de chegarem as chuvas. Se formos ao Nepal para caminhar, devemos contar com pelo menos 6 dias a 10 dias.

TRÊS GRANDES REGIÕES

Há três grandes regiões para caminhar no Nepal. A região do maciço do Anapurna inclui inúmeros picos acima dos 6000 e 7000 metros, incluindo o próprio Anapurnaeverest 2 com 8091 metros. E a região de trekking mais acessível e a mais visitada de todas. Tem o aliciante de, em poucos dias de caminhada, estarmos no sopé destes “gigantes” além de que, na maioria dos casos, implica uma passagem por Pokara, uma cidade com um ambiente muito tranquilo e que contrasta com o constante frenesim de Catmandu. A nordeste da capital encontra-se a região de Kumbu, onde fica o monte Evereste. A constante presença dos alpinistas a preparar as suas grandes escaladas fazem-nos viver um pouco o ambiente destas expedições. A norte de Catmandu fica o Parque Nacional de Langtang que, embora não tenha picos de 8000 metros (o mais alto tem 7246 metros), proporciona vistas muito bonitas com lagos de água azul turquesa e acima de tudo caminhadas mais tranquilas pois o número de visitantes é menor aqui.

RAFTING

As chuvas das monções, que todos os Verões assolam este pequeno reino, aliadas às montanhas mais altas do mundo e ao degelo dos seus picos nevados, originam um sem número de rios vertiginosos que atravessam todo o Nepal e vão acalmando à medida que se aproximam da extensa planície do sub-continente. Para os habitantes nepaleses é o garante da irrigação dos seus campos de arroz e outros cereais e vegetais que servem de base à sua agricultura de subsistência. Aos visitantes proporciona uma das melhores regiões do mundo para a prática e aprendizagem do rafting e canoagem de águas bravas. A variedade de condições existentes faz do Nepal um verdadeiro paraíso: há rios muito difíceis, médios e fáceis; há rios técnicos e volumosos; há rios curtos para descer em apenas um dia ou compridos em 12 dias.

Quando aqui cheguei pela primeira vez em 1999, e depois de recolher informação sobre os vários rios, decidi-me pelo Marsyangdi, um dos dois rios mais difíceis operados pelas diversas empresas. E um rio muito técnico classificado de 4+/5- numa escala internacional de 1 a 6 (em que 1 é água lisa corrente e 6 “impossível” de navegar). Já tinha feito rafting anteriormente e tenho bastante à-vontade dentro de água. Este último é um pré-requisito indispensável para quem se quer iniciar nestas modalidades. Embora fosse um programa turístico, o facto de ser a primeirarafting thumb Himalaias descida da época e de termos que ir analisando os vários rápidos fez com que tivesse um verdadeiro sabor a expedição. Fiquei impressionado e maravilhado com a perícia com que os guias nepaleses e os caiaquistas conduziram a nossa equipa rio abaixo. Os guias, com a nossa participação, conduzem os rafts (barcos insufláveis) e os caiaquistas (“safety kayakers”) têm a missão de recolher alguém que caia dos barcos e que não seja imediatamente recuperado. É que, num destes rios, os solavancos são tantos e tão fortes que é raro uma pessoa saltar borda fora. Lembro-me que em 11 pessoas só 3 é que não fomos à água. E foi tal o fascínio com que fiquei ao fim destes cinco dias alucinantes que resolvi experimentar as águas bravas a partir dum caiaque. Nesse mesmo mês fiz um curso de iniciação durante 4 dias e tornei-me desde então num verdadeiro fã. O acompanhamento com guias especializados é essencial para desfrutarmos a nossa aventura. O Kali Gandaki é uma das descidas mais recomendáveis, é de classe 3/4 o que fez deste um rio intermédio em termos de dificuldade. É um rio muito bonito, um dos sagrados do NepaL Durante 3 dias descemos e acampámos nas suas praias de areia. Uma opção para os que procuram emoções fortes (mas que têm que saber nadar bem!) é o Bhote w Kosi. E um rio que desce do Tibete e, tal como o Marsyangdi, classificado de 4+/5-. Durante dois dias a adrenalina está garantida. Outro é o rio Karnali. É o mais volumoso do Nepal e atravessa o região mais a oeste e também a mais remota. A partir de onde o autocarro nos deixa, e onde consegue chegar, são dois dias a caminhar para montante e 10 dias a descer. A meio da descida e, durante 2 ou 3 dias, o Karnali “amansa” e os caiaquistas de apoio dão os seus caiaques a experimentar aos participantes que poderão assim ter uma aprendizagem incluída numa descida de rafting. Este rio tem também o aliciante de atravessar o Parque Nacional de Bardia, um santuário de tigres e outra vida selvagem.

PEDALAR

Pedalar no Negai é um desafio para especialistas. É, praticamente, sempre a subir e a descer, com estradas de mau piso e muitas vezes bastante movimentadas. Mas asbtt thumb Himalaias subidas proporcionam vistas panorâmicas espectaculares e se ousarmos explorar pequenos trilhos à margem dos caminhos principais descobrimos verdadeiras relíquias. É também uma excelente forma de, rapidamente, nos alhearmos dos circuitos turísticos e nos envolvermos a 100% com a população nepalesa. Recomenda-se para andar de bicicleta todo-o-terreno o vale de Catmandu e os caminhos até aos Parques Nacionais de Bardia e Lang

Deixamos para trás as preocupações de mais uma semana de trabalho e partimos em direcção às Aldeias do Xisto. Queríamos beber o ar puro da Serra, escutar o seu silêncio e penetrar no que eh tem de melhor. O nosso destino era a aldeia de Ferraria de S. João, no concelho de Penela.

Estrategicamente situada bem no coração de Portugal toda a vasta região do PinhalSerra da Lous%C3%83%C2%A3 Serra da Lousã Interior acaba por estar facilmente acessível a quem, vindo de Norte ou do Sul, a ela se dirige. Ao todo são 23 núcleos de elevado valor patrimonial, ambiental e social, criteriosamente recuperados e preservados, onde a cultura, a gastronomia, os produtos locais e o património construído se impõem e distinguem pela riqueza do ser e a força do seu carácter. Ali, no extremo sul da Serra da Lousã, onde o xisto e o quartzo se mesclam na mais bela das uniões, a aldeia expõe-se numa ruralidade ímpar de comunitarismo feita. A viagem decorreu de forma tranquila e o caloroso acolhimento à chegada prenuncia uma jornada inesquecível. A tarde vai caindo mansamente e não há tempo a perder. Partimos na direcção dos Penedos de Góis, bem lá no alto da Serra, roupa e calçado confortáveis e apenas uns binóculos como acessório imprescindível. Aquilo que está prometido é um espectáculo único, irrepetível.

A MAIS BELA DAS VISÕES

Setembro é o mês de acasalamento dos veados e é ao seu encontro que vamos. Nesta altura precisa do ano, é perfeitamente perceptível o bramido dos machos ecoando pelas inclinadas encostas da serra e perdendo-se na imensidão dos cavados5575429 Serra da Lousã vales. Apesar do seu número apreciável, são animais esquivos que pouco mais deixam que os trilhos a assinalar a sua passagem e os troncos descarnados de algumas árvores, onde os mais jovens se procuram livrar do tegumento que lhes recobre as hastes. Todavia, quanto a brama nem um som! Formas e sombras vão-se confundindo à medida que o sol cai no horizonte. Naquela hora mágica, onde tudo o que é realmente importante acontece, o regresso faz-se em silêncio, a frustração da gorada demanda a falar mais alto que tudo o quanto de belo se viu e sentiu. Ao longo da serra, as imponentes pás eólicas de torres mil permanecem inertes face à ausência de vento. Aldeias e vilas vão-se acendendo aqui e além em pequenos pontinhos luminosos. Eis quando… um… dois… três… quatro! São quatro os veados que, uma centena de metros à nossa frente, atravessam o estradão para logo se embrenharem de novo no mato. É tudo tão rápido que mal temos tempo para fixar na retina os seus acrobáticos saltos. E quando os pensávamos já perdidos, eis que surgem na crista do monte, silhuetas imóveis recortadas sobre o fundo violáceo dum poente que se despede. A harmonia daquele quadro arrasta-nos para outra dimensão, uma dimensão mais humana que nos reconcilia connosco próprios. Aos poucos, o casal com as suas duas crias afasta-se. Impondo-se no firmamento, o pequeno pontinho fulgurante de Júpiter precede um céu que, de tão estrelado, quase se alcança com a ponta dos nossos dedos.

NOVO DIA, NOVAS AVENTURAS

A manhã acorda e com ela uma proposta sobre rodas para um passeio de BTT. A primeira nota de admiração vai para o Centro de Ferraria de S. João que,6909405 2 Serra da Lousã juntamente com os da Lousã e de Gondramaz, constitui verdadeira estação de serviço para os praticantes desta tão exigente quão espectacular modalidade. No edifício de linhas modernas, o praticante encontra a mini-oficina e a bomba de ar automática, a par da máquina de lavar a bicicleta e balneários com água quente para um final de jornada em beleza. Os Centros são igualmente ponto de partida para uma enorme quantidade de percursos com diferentes níveis de dificuldade, ao encontro de gostos mais moderados ou mais radicais. Optámos pelo “Ferraria Loop”, 3.8 km para cerca de uma hora de puro prazer num passeio descontraído que nos proporciona uma panorâmica geral sobre a bonita aldeia. Os trilhos que levam ao Cercal, ao Favacal ou a Campelo apresentam já distâncias consideráveis, mas valem bem a pena pelas zonas de inegável beleza que atravessam, visitando o vale da Ribeira das Ferrarias, as Fragas da Lagoa ou o S. João do Deserto. Finalmente, o percurso que leva a Gondramaz e ao Casal de S. Simão é para pessoas com algum treino. São 75,1 km em ambiente de montanha, numa jornada de um dia seguramente inesquecível.

NAS FRAGAS DE S. SIMÃO

A tarde encontra-nos no Casal de S. Simão, pequena aldeia encravada entre dois profundos vales, ainda há bem pouco tempo totalmente abandonada e agora revitalizada e cheia de projectos para o futuro. Daqui partimos à descoberta de uma das mais belas praias fluviais do Pinhal Interior para, com a ajuda do “lontrinhas”, desfrutar dos encantos das

Fragas de S. Simão. Para isso, nada melhor do que percorrer o PR1 – FVN, Caminho do Xisto de Casal de S. Simão que nos leva directamente ao idílico local. Saindo da779248 Serra da Lousã aldeia, o trilho transporta-nos através de uma bela mancha de sobreiros até às margens da Ribeira de Alge, onde antigas azenhas e uma levada antecedem as imponentes Fragas de S. Simão, verdadeiro “canyon” modelado ao correr do tempo pela força das águas. A beleza do local e a limpidez das águas, parcialmente retidas por uma pequena represa artificial, convidam a um retemperador mergulho. Deixamo-nos ficar nas águas refrescantes, cada vez mais seguros de que o paraíso é aqui. O olhar estende-se pelas escarpas acima e fixa-se em três rastos na parede vertical, testemunhos da presença dos apaixonados da escalada, que aqui encontram um local de eleição para pôr em prática as suas qualidades e capacidades físicas e técnicas. 0 regresso faz-se por Além da Ribeira, onde as azenhas ainda trabalham na moagem dos cereais. 0 estreito trilho sobe agora ao longo da margem direita da Ribeira do Fato, permitindo ter uma visão privilegiada do Vale da Abundância. 0 alegre marulhar das águas da ribeira, a levada que segue paralela ao trilho e a vegetação onde predominam as Louráceas dão-nos por momentos a sensação de estarmos na ilha da Madeira.

DE KAYAK AO CORRER DO ZÊZERE

O fim-de-semana está a terminar mas ainda temos pela frente uma grande aventura. Desta feita, ao longo do dia, deslizaremos mansamente sobre as águas do Zêzere, na albufeira da

Barragem da Bouçã. Os vistosos e seguros kayaks de travessia são o nosso meio de transporte. Destreza e alguma força de braços é tudo quanto se necessita, que o resto vem por acréscimo. E o resto é tão somente a tranquilidade absoluta de umimage040 Serra da Lousã espaço de sonho: o manso espelho de água estendendo-se no recorte de encostas pronunciadas e escarpas abruptas, a elegante ponte filipina que ao longo de séculos permitiu a ligação entre Coimbra e Castelo Branco, um guarda-rios que voa célere entre as duas margens ou os lagostins vermelhos do rio que aqui nos ameaçam com as robustas tenazes. Um pouco mais abaixo, na aldeia da Foz do Cobrão, fazem deles pitéu em Arroz Malandro mergulhados. Na hora de almoço, toalhas sobre as lages de uma praia fluvial apenas acessível de barco, petisquinhos vários na improvisada mesa, um pão de comer e chorar por mais, o requinte de uma sobremesa de requeijão e doce de abóbora e ainda uma improvável chávena de café, tornado mais delicioso ainda porquanto saboreado no mais belo dos recantos. 0 regresso faz-se de dúvidas. Será que um fim-de-semana destes aconteceu realmente? Mas também da certeza de cá voltarmos, com mais gosto e vontade ainda, para montes de novas descobertas.

ACESSIBILIDADE TOTAL

O Caminho do Xisto Acessível de Gondramaz foi projectado tendo em conta a máxima acessibilidade, permitindo a sua utilização por pessoas portadoras de incapacidade. Ao todo são 450 metros de um percurso equipado com pavimento sensorial, permitindo aos invisuais uma orientação independente através do contraste de texturas. A cada alteração de textura do pavimento corresponde um particular ponto de observação onde a pessoa pode perceber o espaço envolvente e ouvir a sua descrição, das múltiplas esculturas nas paredes das casas às tonalidades cor de fogo das folhas dos castanheiros. Tudo isto através de áudio-guias cedidos gratuitamente em vários pontos. No caminho, junto à Capela de Nossa Senhora das Candeias, existe ainda um W.C. devidamente adaptado a indivíduos com incapacidade motora. Gondramaz – Miranda do Corvo. Distância – 450 metros (900 m ida e volta); tempo de duração aprox. – 15 minutos (30 min. ida e volta); desnível – 40 m. Áudio-guias disponíveis no Posto de Turismo de Miranda do Corvo (tel. 239 530 316), Quinta da Paiva (tel. 239 530 150) e Restaurante Pátio do Xisto (tel. 239 538 012).

Arco do Triunfo, Champs Elysees Champs Elysees
Torre Eiffel A view of Champs-Elysees
Champs Elysees 4 Champs Elysees 2
Apesar do frio apertar, passar o Rêveillon nos Champs Elysées é encantador e muito romântico. Com a avenida, uma das mais luxuosas do planeta, decorada a preceito, são milhares as pessoas que decidem não temer as baixas temperaturas e aí dar as boas-vindas ao novo ano. O Arco de Triunfo é a testemunha de um lado e a roda gigante do outro, mas não há quem resista ao brilho e misticismo da Torre Eiffel nesta noite, que se enche de cor, luzes, fogo-de-artifício e muita festa. Quer seja na rua ou num dos muitos restaurantes de primeira classe da famosa avenida, não deixe escapar a oportunidade de ver a cidade da Luz ficar ainda mais radiante na noite mais celebrada do mundo. O divertimento e a boa disposição estão garantidos. Mas, se quiser acabar a noite em grande, faça por pernoitar num dos muitos elegantes hotéis dos Champs Elysées. Uma experiência verdadeiramente única e inesquecível.
Champs-Elysées