Eleita uma das Sete Maravilhas nacionais,  Castelo de Óbidos esconde, até dia 4 de Janeiro, uma Vila Natal cheia de magia. Mas há muito mais para ver e sentir juntinho às muralhas

Óbidos é, muito provavelmente, a mais bem preservada vila histórica portuguesa. Casas caiadas, onde o branco recebe de braços abertos o amarelo e o azul, ruas estreitas e pi­torescas, a influência mourisca e a longa muralha, passível de ser per­corrida na íntegra e que nos acom­panha de onde quer que admiremos a paisagem. Tudo isto, complemen­tado pela ginjinha de óbidos e pelo chocolate, atrai a Óbidos milhares de turistas, mas por altura do Natal a vila é in­vadida por crianças, tanto em excur­sões escolares como trazidas pelos pais, também elas ansiosas por per­correr a já famosa Vila Natal.

INSPIRADA EM TCHAIKOVSKY

Este ano o mote é dado pela his­tória do Quebra-Nozes, na tentativa de recriar um mundo de tradições já esquecidas, próprias desta época, dando uma perspectiva diferente do Natal através de um tema ainda pou­co explorado. Conta a história que, na noite de Natal, uma menina recebeu do seu padrinho, um famoso relo­joeiro de Nuremberga, fabricante de brinquedos animados, um quebra-nozes em figura de soldado, com o qual sonhava aventuras por reinos encantados. Ora, a entrada neste rei­no encantado que dá pelo nome de Óbidos Vila Natal dá-se precisamen­te pela cidade de Nuremberga, onde os Ratos, os vilões desta história, dão as boas-vindas a todos e abrem pas­sagem para a Oficina do Relojoeiro – nada mais nada menos que o sí­tio onde foi criado a personagem do Quebra-Nozes, cuja história pode ser lida, de forma resumida, num Livro Gigante. A página seguinte depende da vontade de cada um, mas poucos serão os que resistem à Aldeia dos Doces, que recria o espaço da Fada do Açúcar e permite aos visitantes, de uma forma interactiva, partici­par em jogos e divertimentos com as personagens da história. E já que estamos a visitar aldeias, a Aldeia dos Soldados de Chumbo é um espaço de ateliês com muitas brincadeiras nas quais as figuras principais são as crianças. Depois há ainda a Terra do Gelo, uma viagem pelas montanhas geladas através de um trenó na for­ma de um cisne dourado, a Floresta Encantada, onde os mais pequenos podem saltar de árvore em árvore por uma ponte mágica, a Floresta Ne­vada e, claro, a Casa do Pai Natal, um espaço incontornável, onde todas as crianças poderão deixar os seus últi­mos pedidos para o que desejam ter no sapatinho.

Recuperar forças

No meio de tantas emoções, e se optar por ficar mais do que um dia em Óbidos, poderá completar este cenário encantado dormindo na Casa das Senhoras Rainhas, um pequeno hotel cheio de charme localizado dentro das muralhas e que oferece ainda um restaurante tremendamente acolhedor e cheio de sabores a descobrir.

EM FAMÍLIA

Se, e confirmando a regra do Natal, as crianças são os reis desta festa, a verdade é que uma visita à Óbidos Vila Natal é uma excelente forma de passear em família e re­forçar laços que unem pais e filhos em espaços como a pista de gelo, a rampa de esqui, os insufláveis ou as voltinhas de pónei. Existe igual­mente um anfiteatro que serve de cenário à programação cultural a decorrer durante todo o evento, e que inclui espectáculos de magia, teatro, bailado ou concertos, e na Praça de Santa Maria vai estar um Presépio de grandes dimensões. Quase em frente, na Casa do Pelou­rinho, uma exposição de 1000 Pais Natais é motivo mais que suficiente para prender a atenção de miúdos e graúdos, algo que acontece também quando atravessamos o caminho de árvores de Natal de vários tama­nhos, formatos, cores, luzes, enfeites e brilhos, que se destacam junto à Porta da Vila, onde um enorme tre­nó convida os visitantes a sentarem–se e a darem uso às máquinas foto­gráficas. As mesmas que, com toda a certeza, não deixarão de registar as ruas decoradas e iluminadas como num conto de Natal e, já ao longe, voltarão a disparar para guardar no tempo as muralhas, cheias de luzes, que guardam este verdadeiro mun­do encantado.

Ginja e chocolate

Ir a Óbidos e não beber uma ginjinha é ainda mais “grave” que ira Roma e não ver o Papa. De origem conventual e produzida artesanalmente, sem corantes nem conservantes, é feita com ginjas da região e pode ser bebida em copos de chocolate que são comidos em seguida. Afinal, estamos na vila onde decorre o Festival Internacional do Chocolate (em 2009, de 5 a 15 de Março) e onde se compra licor de ginja e chocolate. Não deixe de provar um pão com chocolate na Casa do Pão da Mãe Natal. Acabado de sair do forno, é de comer e chorar por mais!

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