SE GOSTA DE NATUREZA NO SEU ESTADO MAIS PURO, ENTÃO, A ILHA DAS FLORES É O DESTINO IDEAL. DE ENTRE AS NOVE ILHAS DOS AÇORES. É A ELEITA PELOS BIÓLOGOS DE TODO O MUNDO.
Assim que aterrar em Santa Cruz das Flores fica de imediato a conhecer uma das maiores freguesias da ilha. Alugue um carro, a melhor forma de conhecer a ilha, e rume ao centro. Aí, dará de caras com a Praça Marquês de Pombal, onde os enormes plátanos dão sombra no Verão e abrigam no Inverno a população local que ali se reúne diariamente. Mais abaixo fica o porto com o cheiro do passado, das ruelas apertadas, dos pescadores e do comércio de outrora e que, hoje, apenas deixa saudades.
Para percorrer a ilha na sua plenitude pode optar por um de dois caminhos. Seguir a estrada para sul, sempre junto ao litoral com o Atlântico à sua esquerda ou aventurar-se numa travessia transversal da ilha pelo seu interior. Comecemos pelo litoral. Siga para sul e percorra a costa leste que liga as vilas de Santa Cruz das Flores à Lage das Flores. Nesta encosta não perca o desvio em direcção à Fajã de Lopo Vaz, onde se encontra a única praia de areia (escura) da ilha. Junto à praia vai poder encontrar uma enorme variedade de frutos subtropicais como araçá, goiabas, bananas, mangas e muito inhame.
CASCATAS E TRILHOS
Um pouco mais à frente, na direcção da Faj azinha, vai deparar-se com a Rocha dos Bordões, a curiosidade geológica mais conhecida da ilha. Esta rocha resulta de um imponente acidente geológico – único no seu género no arquipélago – que se caracteriza pela solidificação da rocha basáltica em altas colunas prismáticas verticais com forma alongada. No sopé desta formação existe ainda outra singularidade geológica que justifica uma pequena caminhada pelo trilho devidamente assinalado. Trata-se de um conjunto de caldeiras ferventes de pequena dimensão e água sulfurosa a que foi dado o nome de Aguas Quentes.
Apenas alguns quilómetros à frente encontrará a Fajãzinha, uma freguesia que se orgulha de ter nos seus domínios algumas das paisagens mais deslumbrantes de todo o arquipélago açoriano. Dignos de nota especial são. por exemplo, as imponentes cascatas do Ferreiro e da Ribeira Grande, esta com mais de trezentos metros de altura. Aqui. ponha de lado a comodidade do carro e aventure-se numa caminhada por um trilho de 800 metros, quase sempre a subir, até chegar ao paradisíaco Poço da Alagoínha, uma pequena lagoa para onde as cascatas confluem numa paisagem de cortar a respiração.
Chegamos, finalmente, à Fajã Grande, o ponto mais ocidental da ilha e simultaneamente o ponto mais ocidental da Europa. Oceano é tudo o que a vista alcança e apenas 3500 quilómetros nos separam de… Manhattan. Esta localidade teve uma importância vital no passado, pois era o ponto de paragem dos baleeiros americanos e ponto de partida de grande parte dos emigrantes açorianos para os Estados Unidos e Canadá. Hoje em dia é, essencialmente, uma zona balnear com cada vez mais procura nos meses quentes de Verão. Entre as vilas da Fajã Grande e de Ponta Delgada não existe qualquer tipo de ligação rodoviária. A única hipótese de percorrer os 12 quilómetros da costa oeste da ilha é através de um longo e irregular percurso pedestre de cerca de 3 horas e meia, mas que é o mais interessante de todos. Ao longo do troço destacam-se paisagens deslumbrantes sobre as falésias, calçadas de pedra antigas, vários cursos de água, cascatas e a magnífica mostra de exemplares da vegetação e flora endémica.
A ilha recebeu o nome graças à abundância de flores que pintavam a ilha de amarelo. É um verdadeiro paraíso para os biólogos de todo o Mundo, com cerca de 400 tipos distintos de musgos e fetos e cerca de 1100 tipos de plantas diferentes, sendo que 68 destas são endémicas.
VIAGEM AO CENTRO DA TERRA
Um passeio de barco semi-rígido à volta da ilha é uma outra forma de ficar a conhecer as maravilhas naturais desta paradisíaca ilha. Formações de pedra talhadas pela erosão ganharam formas fantásticas e, em alguns casos, a fazer lembrar animais ou mesmo a silhueta de uma freira e de um frade.
As grutas são também uma das grandes atracções deste passeio à beira-mar. É possível entrar de barco em duas dessas cavidades, na gruta dos Enxaréus e na gruta do Galo. Os irremediáveis saltos da embarcação provocados pela fúria das águas a contrastar com a calmaria encontrada nas inúmeras baías embelezadas pelas lindíssimas cascatas, que escorrem pelas rochas verdejantes com listas multicolores, e a cor do mar, de um azul cobalto transparente que chega a “ferir a vista’,’ fazem desta experiência um momento inesquecível.
Saindo de Santa Cruz das Flores e serpenteando montes e vales num percurso onde o verde é pintalgado pelos rosa e violeta das hortências que dominam a paisagem, é chegada a hora de conhecer as entranhas desta terra. Na zona mais montanhosa onde se encontra o Morro Alto, com 914 metros – é possível ver a maior mancha de cedro do mato dos Açores. Fique atento à sinalética que lhe indica o caminho para cada uma das sete lagoas, que oferecem deleite aos olhos e paz ao espírito. Mas atenção, não se deixe enganar pelos nomes das lagoas, pois estes podem confundir os mais desatentos.
Explicar o carácter dos açorianos é perceber a natureza dos Açores. No coração tem a ardência das caldeiras, no olhar traz a doçura das lagoas e a ternura das hortênsias, mas nas veias corre o basalto negro das terras do Pico.
















