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Galiza: Hotel “A Quinta da Auga”

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01/06/2010

Londres

Publicado por turismo
06/05/2010

Chegue ao seu destino de forma original

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Irlanda do Norte

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15/01/2010

Himalaias

Publicado por turismo
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Arquivo da categoria ‘Espanha’

Galiza - Num ambiente natural de bosque e rio, nasceu um hotel que sabe honrar os pergaminhos. Forte motivo para peregrinar até Santiago de Compostela

Passando Valença e apa­nhando Tui, mal se dá pela passagem frontei­riça, não fosse a placa euro­peísta a assinalar a entrada em Espanha. Aliás, na Galiza, como fazem questão de des­trinçar miestros hermanos do Norte, que se sentem arredios em relação à restante Espa­nha. Vemos as paisagens, ve­mos os pueblos, vemos os mon­tes e vales e a vegetação e não somos nós que descobrimos que o Norte de Portugal e a Galiza são um todo contínuo, mas sim algo que já vem de há muito tempo, numa secu­lar tradição cultural que se reflecte nos hábitos, nos cos­tumes e até no léxico – o galaico-português ainda subsis­te e coexiste do lado de cá e do lado de lá da fronteira. São dois povos juntos – ou xuntos, como entenderem…A Quinta da Auga 2 300x202 Galiza: Hotel A Quinta da Auga

Vigo e Pontevedra, encaixadas no recorte das Rias Baixas, já ficaram para trás, resta flectir um pouco para o interior e rumar para o cen­tro político, cultural e religio­so da Galiza. Parece que o topo da catedral assoma ao longe e que o som dos gaitei­ros da Placa do Obradoiro ecoa nos ouvidos, mas a ilu­são é desvanecida quando se dá de chofre com uma casa granítica, de três alas unidas, rodeada pelo verde da vege­tação e da relva e com um gracioso fontanário à frente. Paramos e lemos “A Quinta da Auga”. Entramos e o quentinho aconchegante en­volve-nos – pelo cre­pitar da lareira e pelo calor dos sorri­sos de boas-vindas.

O hotel abriu há poucos meses, mas a sua história remonta ao século XVIII, quando Dom Jacobo edificar. O desenrolar dos anos nunca deixaria antever o que é hoje. Sabe-se que em 1792 era uma fábrica de pro­dução de papel, actividade que foi mantida até meados do século XIX, passando en­tão a produzir panos de lã. De­pois, tomou novo rumo, con-vertendo-se em fábrica de cer­veja e de gelo sensivelmente até à década de 60 do século passado, após o que caiu em desuso e foi votado ao aban­dono. Estas peripécias e dife­rentes funções são claramen­te justificadas pela presença da água ah tão próxima, com o rio Sar a providenciar.A Quinta da Auga 300x202 Galiza: Hotel A Quinta da Auga

Em 2003, contudo, iniciou-se uma nova era, quando foi adquirido pelos actuais proprietários que, apesar da completa inexperiência na área da hotelaria, investiram na sua recuperação e fizeram que a fénix renascesse das cinzas. Vimos as fotografias da época da aquisição, e não deixámos de nos surpreen­der pelo aspecto deteriora­do do edifício, pelas paredes esboroadas, pelos muros der­rocados, pelos tectos caídos, pelas janelas esventradas e pelas ervas e vegetação que tudo invadiram.

Olhamos em redor e quase nem críamos no que os olhos viam, tais as diferen­ças. Como não podia deixar de ser, o nome Auga justifi­ca perfeitamente a escolha: pelas águas do Sar que se ou­vem distintamente, pela fon­te no pátio de entrada, pelo tanque de onde brota água fresca e potável – e pela chu­va miudinha que, no Inver­no, faz questão de visitar in­sistentemente a Galiza.A Quinta da Auga 4 300x202 Galiza: Hotel A Quinta da Auga

Façamos, então, um péri­plo pel´A Quinta da Auga, acompanhados por Luisa Gar­cia Gil, proprietária e arqui­tecta do projecto. O edifício é constituído por três alas, sendo que as duas primeiras abri­gam quase todos os quartos e outras de­pendências, ao passo que a terceira é cons­tituída basicamente pelo spa. O átrio é uma espécie de antecâmara de diferentes espaços: a sala de estar, que acomoda diver­so mobiliário disperso, entre mesas, mesinhas, sofás, cadei­rões, maples, candelabros, es­tatuetas, livros, quadros e uma convidativa lareira que aquece o corpo e a alma na­quelas taciturnas noites de In­verno; o restaurante Filigra­na, com salas para fumadores e não fumadores, em que as tonalidades são dominadas pelo branco das toalhas e ca­deiras e pelo lilás das pare­des – o que confere grande elegância. Elegância, aliás, cumprida com distinção na apresentação dos pratos que, no entanto, assumem por con­traste pelas porções panta­gruélicas, com natural realce para a cozinha tradicional ga­lega, rica em peixe e marisco – além do emblemático pulpo a galega – e nas carnes de por­co, vitela e veado. Como re mate, à parte a carta de vi­nhos onde os Rioja assumem primazia, nada melhor que a doçaria, onde a filho carame­lizada com arroz doce faz as honras da casa.A Quinta da Auga 5 300x202 Galiza: Hotel A Quinta da Auga

Praticamente ao lado, mas também com acesso pelo ex­terior, localiza-se a cafetaria Q CaféBar, para picar algo e beber café, chá ou diversos aperitivos, com os cartazes e as páginas de jornais e revis­tas antigas que forram as pa­redes a prenderem a atenção e a despertarem curiosidade.

Os pisos superiores são de­dicados aos quartos. Cada um deles, incluindo os standard, disponibilizam diversas facilidades, mas o que realmente os distingue é o facto de todos eles serem diferentes – não há um único igual, apesar de ha­ver coisas em comum: são bas­tante espaçosos, uma das paredes é forrada com papel com motivos de época, outra pintada com uma cor diferen­te mas harmoniosa e o resto respeita a traça original, com a pedra granítica à vista. A de­coração é uma fusão entre o moderno e o antigo, com algu­mas peças a serem autênticas obras de arte. O acesso entre pisos pode ser feito por esca­das ou elevadores, mas reco­mendamos estes últimos, não por comodidade, mas por po­der apreciar a decoração, com reproduções das páginas de um livro que descrevia e ilus­trava a actividade do edifício enquanto fábrica de papel.A Quinta da Auga 6 300x202 Galiza: Hotel A Quinta da Auga

As quatro suites merecem bem essa designação, pelo ge­neroso espaço que disponibi­lizam -100 m2 – dividido por um salão, escritório, dormitó­rio (com ampla cama de ca­sal) e uma casa de banho com jacuzzi… e belas vistas para o rio Sar.

Dignos de registo são tam­bém os espaços para a reali­zação de eventos e reuniões: o Salão do Rio (20 pessoas) e o Salão da Fonte (200 convi­vas), que desobedecem completamente aos cânones tra­dicionais – situam-se no piso térreo e o número de abertu­ras nas paredes de granito fa­zem que a luz natural entre de jorro, criando um ambien­te de luminosidade que ain­da é mais reforçado pela al­vura da decoração e das pa­redes caiadas. A última ala é dedicada ao spa.

O resto é… paisagem – a quinta está inserida num ter­reno verdejante de relva, arvoredo e canaviais de bam­bu, que são devidamente ali­mentados pelas refrescantes e saltitantes águas do rio Sar.A Quinta da Auga 7 300x202 Galiza: Hotel A Quinta da Auga

A partir de Lisboa, há que tomar a Al no sentido norte até ao Porto, seguir ‘ pela A3 até Valença e, a partir daqui, continuar pela autopista do Atlântico passando por Vigo e Pontevedra seguindo o sentido Santiago de Compostela. Nas imediações da cidade, apanha-se a estrada AC-543, que liga Noia a Com­postela, até encontrar as indicações de “A Quinta da Auga“, na urbanização Brandia, numa viagem com ò total de 540 quilómetros que dura aproximada­mente seis horas. A partir do Porto, basta seguir o mesmo itinerário, embora a distância e o tempo de viagem seja menor: 240 quilómetros em cerca de duas e meia. GPS: 42° 12′ 1″ N + 4o 36′ 00″ E

Só uma grande cidade para esquecer as férias

Tentações não faltam na capital espanhola. Haja vontade e energia!

Dizer “adeus até para o ano” às férias de Verão e regressar à rotina não tem necessariamente de ser penoso e, para ajudar à transição da areia para o cimento, nada como sin­tonizar a cabeça em tudo de quanto único só as ci­dades podem oferecer. E porque há cidades e cidades, fugir três dias rumo a uma verdadeira urbe tem tudo para dar novo alento ao longo pe­ríodo que se segue.image thumb Férias em Madrid

Madrid é uma opção a ter em conta, até porque para um fim-de-semana na capital espanhola pede–se mais disposição do que investimento financeiro. Única. Não faltam tenta­ções em Madrid, que pode não ser tão característica como a incomparável Se­vilha ou charmosa como a irresistível Barcelona, mas ainda assim é verdadeira­mente única. Seja, então, muito “bienvenido” à mais aber­ta e fervilhante das metró­poles ibéricas, nas pala­vras sábias do escritor pe­ruano Mário Vargas Llosa, uma cidade que “não per­tence a ninguém e é de toda a gente”. Pode ir sem medo, porque se vai sentir em casa!

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