Quando, em Agosto de 1999, partiu com a sua BTT para a Volta ao Mundo, Filipe Palma nunca imaginou apaixonar-se por um país e por um povo como aconteceu no Nepal. Para além disso, caminhar, remar ou pedalar são sempre bons pretextos para ir ao Nepal!

No Nepal, não se trata apenas de avistar as montanhas mais altas do mundo e que, por ano, atraem milhares de caminhantes e centenas de alpinistas; não se trata apenas de descer rios vertiginosos e emocionantes que fazem a delícia de pessoas de todo o mundo que aqui vêm fazer rafting e canoagem; não se trata apenas deeverest thumb Himalaias visitar maravilhosos templos budistas e hindus, alguns deles milenares. Trata-se também de contactar com um povo que, embora seja um dos mais pobres da Ásia e do mundo, nos presenteia sempre com um sorriso; que parece viver sempre do improviso mas faz as coisas acontecerem; que parece estar sempre bem com as circunstâncias e nos faz interrogar se o conceito de felicidade é ou não relativo. As caminhadas, geralmente, duram vários dias e a grande parte dos trilhos são utilizados por humanos há milhares de anos. E por isso uma excelente forma de contactar com os habitantes locais. Nestes caminhos existem casas adaptadas aos turistas onde estes podem pernoitar e tomarem as suas refeições. Há também outros caminhos que, só mais recentemente, são utilizados pelos alpinistas nas suas aproximações às grandes montanhas. Alguns não têm os mesmos apoios logísticos e é preciso acampar e levar a nossa própria alimentação. A água existe em abundância mas devemos sempre filtrá-la e tratá-la ou fervê-la. Podemos, quando optamos por caminhar em zonas mais inóspitas, contratar a ajuda de carregadores. Além de nos ajudar e tornar possível a nossa aventura, é uma forma de estimular a economia local. As melhores épocas para ir ao Nepal são o Outono e a Primavera. Em Setembro, terminam as chuvas das monções e os campos ficam verdejantes. Durante Outubro e Novembro a temperatura do ar mantém-se muito agradável para as actividades de ar livre. 0 mesmo se passa em Março e Abril antes de chegarem as chuvas. Se formos ao Nepal para caminhar, devemos contar com pelo menos 6 dias a 10 dias.

TRÊS GRANDES REGIÕES

Há três grandes regiões para caminhar no Nepal. A região do maciço do Anapurna inclui inúmeros picos acima dos 6000 e 7000 metros, incluindo o próprio Anapurnaeverest2 thumb Himalaias com 8091 metros. E a região de trekking mais acessível e a mais visitada de todas. Tem o aliciante de, em poucos dias de caminhada, estarmos no sopé destes “gigantes” além de que, na maioria dos casos, implica uma passagem por Pokara, uma cidade com um ambiente muito tranquilo e que contrasta com o constante frenesim de Catmandu. A nordeste da capital encontra-se a região de Kumbu, onde fica o monte Evereste. A constante presença dos alpinistas a preparar as suas grandes escaladas fazem-nos viver um pouco o ambiente destas expedições. A norte de Catmandu fica o Parque Nacional de Langtang que, embora não tenha picos de 8000 metros (o mais alto tem 7246 metros), proporciona vistas muito bonitas com lagos de água azul turquesa e acima de tudo caminhadas mais tranquilas pois o número de visitantes é menor aqui.

RAFTING

As chuvas das monções, que todos os Verões assolam este pequeno reino, aliadas às montanhas mais altas do mundo e ao degelo dos seus picos nevados, originam um sem número de rios vertiginosos que atravessam todo o Nepal e vão acalmando à medida que se aproximam da extensa planície do sub-continente. Para os habitantes nepaleses é o garante da irrigação dos seus campos de arroz e outros cereais e vegetais que servem de base à sua agricultura de subsistência. Aos visitantes proporciona uma das melhores regiões do mundo para a prática e aprendizagem do rafting e canoagem de águas bravas. A variedade de condições existentes faz do Nepal um verdadeiro paraíso: há rios muito difíceis, médios e fáceis; há rios técnicos e volumosos; há rios curtos para descer em apenas um dia ou compridos em 12 dias.

Quando aqui cheguei pela primeira vez em 1999, e depois de recolher informação sobre os vários rios, decidi-me pelo Marsyangdi, um dos dois rios mais difíceis operados pelas diversas empresas. E um rio muito técnico classificado de 4+/5- numa escala internacional de 1 a 6 (em que 1 é água lisa corrente e 6 “impossível” de navegar). Já tinha feito rafting anteriormente e tenho bastante à-vontade dentro de água. Este último é um pré-requisito indispensável para quem se quer iniciar nestas modalidades. Embora fosse um programa turístico, o facto de ser a primeirarafting thumb Himalaias descida da época e de termos que ir analisando os vários rápidos fez com que tivesse um verdadeiro sabor a expedição. Fiquei impressionado e maravilhado com a perícia com que os guias nepaleses e os caiaquistas conduziram a nossa equipa rio abaixo. Os guias, com a nossa participação, conduzem os rafts (barcos insufláveis) e os caiaquistas (“safety kayakers”) têm a missão de recolher alguém que caia dos barcos e que não seja imediatamente recuperado. É que, num destes rios, os solavancos são tantos e tão fortes que é raro uma pessoa saltar borda fora. Lembro-me que em 11 pessoas só 3 é que não fomos à água. E foi tal o fascínio com que fiquei ao fim destes cinco dias alucinantes que resolvi experimentar as águas bravas a partir dum caiaque. Nesse mesmo mês fiz um curso de iniciação durante 4 dias e tornei-me desde então num verdadeiro fã. O acompanhamento com guias especializados é essencial para desfrutarmos a nossa aventura. O Kali Gandaki é uma das descidas mais recomendáveis, é de classe 3/4 o que fez deste um rio intermédio em termos de dificuldade. É um rio muito bonito, um dos sagrados do NepaL Durante 3 dias descemos e acampámos nas suas praias de areia. Uma opção para os que procuram emoções fortes (mas que têm que saber nadar bem!) é o Bhote w Kosi. E um rio que desce do Tibete e, tal como o Marsyangdi, classificado de 4+/5-. Durante dois dias a adrenalina está garantida. Outro é o rio Karnali. É o mais volumoso do Nepal e atravessa o região mais a oeste e também a mais remota. A partir de onde o autocarro nos deixa, e onde consegue chegar, são dois dias a caminhar para montante e 10 dias a descer. A meio da descida e, durante 2 ou 3 dias, o Karnali “amansa” e os caiaquistas de apoio dão os seus caiaques a experimentar aos participantes que poderão assim ter uma aprendizagem incluída numa descida de rafting. Este rio tem também o aliciante de atravessar o Parque Nacional de Bardia, um santuário de tigres e outra vida selvagem.

PEDALAR

Pedalar no Negai é um desafio para especialistas. É, praticamente, sempre a subir e a descer, com estradas de mau piso e muitas vezes bastante movimentadas. Mas asbtt thumb Himalaias subidas proporcionam vistas panorâmicas espectaculares e se ousarmos explorar pequenos trilhos à margem dos caminhos principais descobrimos verdadeiras relíquias. É também uma excelente forma de, rapidamente, nos alhearmos dos circuitos turísticos e nos envolvermos a 100% com a população nepalesa. Recomenda-se para andar de bicicleta todo-o-terreno o vale de Catmandu e os caminhos até aos Parques Nacionais de Bardia e Lang

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