Vernazza. Se tivesse de escolher uma das cinco povoações que dão o nome ao Parque Natural delle Cinque Terre como a mais simpática, seria Vernazza.
Da estação do comboio, descem-se as ruas apertadas até à pequena praça principal, minúscula praia e porto. Tudo condensado num anfiteatro ladeado pelas características casas coloridas, que se encavalitam de forma periclitante sobre as arribas de rocha, olhando o mar. Em três passos está vista, mas depois passa-se o resto do dia a descobrir os recantos e a contemplar o azul incomparável do Mediterrâneo.
E os sons… Fechar os olhos e ouvir os murmúrios distantes de quem conversa numa multiplicidade de línguas, o ronronar do mar e o choro das gaivotas, só é possível em Vernazza ou noutro local onde os carros não são os protagonistas das ruas, mas sim as pessoas. A disposição das casas provoca um eco dos passos, risos, mergulhos e demais barulhos de quem circula pelas ruas, que enche de forma (para mim) aconchegante o espaço. Com cerca de mil anos de existência, esta foi, em tempos, a povoação mais importante das cinco, e um pólo económico da região. Assim o atestam o Castelo (séc. XI), a Igreja de Santa Marguerita de Antiochia (1318) e II Torrione (séc. XVI). A acompanhar a costa temos, de norte para sul, Monterosso al Mare, Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore. São as Cinque Terre, que dão o nome à região e ao parque natural onde estão inseridas.
Das cinco, Monterosso é talvez a menos pitoresca, com um aspecto mais de estância balnear do que qualquer das outras. Mas, em boa verdade, é a única que se pode gabar de ter “verdadeiras” praias. As restantes. Vernazza, Corniglia, Manarola e Riomaggiore, ligadas apenas pelo caminho-de-ferro, são como pequenos santuários perdidos, onde se idolatram os deuses da tranquilidade, da beleza, da tradição e da boa cozinha. Eu acreditaria se me contassem que as pastas italianas ganharam a sua fama nas Cinque Terre. Comi a melhor lasanha al pesto e o melhor spaguetti al nero di seppia (esparguete negro com tinta de lula) da minha vida em Riomaggiore e Manarola. Ainda lhes consigo sentir o sabor! A não perder é também a variedade de peixe e frutos do mar. incluindo os mexilhões da região e as anchovas com azeite (para quem gosta…). Já para não falar dos vinhos locais e do limoncello (licor de limão que se bebe gelado).
Muralhas naturais rodeiam estas povoações, empurrando-as para o mar. Os locais cobriram-nas de vinhas em socalcos, fazendo lembrar o Douro e a vista que daí se tem merece bem o esforço da subida. O Mediterrâneo, calmo, azul e quente, tem um lado negro… fotografia antigas, tiradas durante tempestades, mostram estas povoações a serem fustigadas por ondas que atingem segundos e terceiros andares nas casas mais ousadas, que arriscaram a vida pelo lugar mais próximo do mar. Felizmente, na maioria dos dias de Verão, encontramo-lo indolente e convidativo. E um prazer mergulhar nas suas águas quentes e transparentes, ficando depois a secar sobre uma rocha aquecida pelo sol. Não tenho nenhum saudade da areia. Aqui tenho um SPA gigante onde escolho as pedras quentes!
Vi em tempos uma fotografia de Portofino, cidade que fica um pouco mais para norte, também na costa da Ligúria. Um ícone da pitoresca beleza arquitectónica da zona, um verdadeiro cartão-postal. Tinha de o visitar um dia!
Mas foi mais abaixo, nas Cinque Terre, que encontrei exactamente o que procurava. Era aqui que estava o meu cartão-postal!
Quando ir?
Tal como na época balnear em Portugal, nas Cinque Terre a maior enchente de turistas acontece em Julho e Agosto. Quem não gosta de se acotovelar deve evitar estes meses…
De Abril a Junho, o tempo já é, em geral, ameno e a experiência é mais agradável.
Onde ficar?
O alojamento disponível dentro das pequenas povoações das Cinque Terre é geralmente pitoresco e acolhedor, mas sem os modernos confortos. Existem sobretudo alojamentos Bed&Breakfast e apartamentos adaptados para aluguer. Em alternativa, pode ficar nas cidades próximas, como La Spezia ou Sestri Levante, em hotéis eventualmente mais confortáveis, mas sem o mesmo encanto ou a vista arrebatadora.
Sugestões: Hotel Villa Steno (Monterosso), La Marina Rooms (Vernazza), Basso Stefania Apartments (Corniglia), Hotel Marina Piccola (Manarola), La Scogliera (Riomaggiore).
O que fazer?
Percursos pedestres
- O mais conhecido, o Sentiero Azzurro (caminho azul), percorre a linha de costa, ligando as cinco povoações. Leva cerca de cinco horas a ser concluído e tem as mais bonitas vistas sobre a paisagem.
- A via dell´Amore liga Manarola a Riomaggiore com o percurso pavimentado.
- Existem vários outros que sulcam os montes e atravessam a região e que, tal como o Sientiero Azzurro, oferecem uma experiência tão cansativa quanto autêntica, pois originalmente eram a única forma de os habitantes se deslocarem de uma povoação para outra.
Mergulho
Snorkel ou garrafa, ambos valem a pena pela visibilidade da água.
Praias
Em Monterosso, existem praias de areia grosseira com todas as comodidades (e incómodos) de uma estância balnear. Nas restantes povoações, pode visitar pequenas praias mais tranquilas, mas sem as infra-estruturas e sem areia, na maioria dos sítios. Prepare-se para estender as toalhas sobre as rochas.
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Tags: cinque terre, Itália, monterosso, vernazza
