Do deserto à floresta subtropical, do mar à alta montanha
Iniciemos a nossa caminhada pela costa oriental da ilha. Quem vai até à ponta de São Lourenço encontra uma paisagem desértica, onde o contraste com o oceano cria uma imagem surreal. Os trilhos estão bons e acessíveis a todos e a baía D’Abra convida a um mergulho.
Se a paisagem desértica não for a sua preferida, podemos facilmente estar embrenhados pelo verde a duas horas de marcha. Siga para a costa Norte. Vá até à Boca do Risco e percorra a levada do Larano até perto de Porto da Cruz. Vai ver uma Madeira verde e rural.
Inflictamos agora para a cordilheira central. Vamos percorrer o trilho entre o Pico do
Areeiro e a Encumeada, passando pelo pico Ruivo – o ponto mais alto da ilha -, o pico do Ferreiro e o pico do Jorge. Estamos, por assim dizer, na «alta montanha» da ilha. Com bom tempo, a paisagem deste trilho, criada pelos vulcões e esculpida pela água e pelo vento, é deslumbrante. Abaixo da nossa linha de visão estende-se o verde da floresta primitiva de loureiros e tils, nos quais nos embrenharemos quando descermos para a Encumeada. Ao fim do deste dia teremos percorrido um dos mais belos trajectos que a Madeira nos oferece.
Se ainda não está convencido, hoje seguramente ficará. Começamos a andar no Lombo do Mouro, de onde seguiremos para o Pináculo e a Bica da Cana. Depois seguiremos pela levada do Lageado, lagoa do Vento, Rabaçal, 25 Fontes, Rocha Vermelha, túnel do Rabaçal e por fim chegaremos à Calheta. É o dia todo a andar e toda a noite a sonhar com esta paisagem de um verde embriagante.
Já estamos próximos da ponta ocidental da ilha. Comecemos agora a caminhar na Fonte do Bispo. Descemos até à levada do Galhano. que percorreremos com estupefac -ção. A beleza deste percurso é mui -to especial. Se as suas pernas ajuda rem, pode chegar a tempo de dar um mergulho nas piscinas naturais de Porto Moniz e depois apanhar uma boleia até à ponta do Pargo, para ver o pôr-do-sol.![]()
Terão passado apenas cinco dias desde que saiu do continente. Se tiver mais alguns dias disponíveis, vá até ao Caldeirão Verde e à Fajã da Nogueira.
E agora um segredo. Espere por um dia de nevoeiro e rume ao Fanal. Se encontrar um gnomo ou duende, não se admire. Disfarce e continue a caminhar alegremente noutra dimensão.


