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Não há tempo para a estranhar. Melbourne entranha-se de imediato. Retrato cosmopolita da fantástica costa sul da Austrália

Com espírito de pequena grande al­deia virada para o mar e ambientes mais frenéticos de cidade cosmopolita do século XXI, Melbourne encanta no primeiro instante. Na verdade, a capi­tal do sulista Estado de Victoria tem um estilo muito próprio, talvez por ter emergido há pouco mais de 170 anos das tendas que a fundaram, para agora assumir-se como uma das mais modernas, competitivas e joviais ci­dades do mundo. Dividida pelo Yarra – rio intensamente aproveitado pela população para o desporto -, nesta urbe sentimo-nos em casa, ambien­tados, apaixonados…

Começa-se então pelo mais agra­dável à vista: o gigantesco Kings Domain, um dos muitos jardins que pintam a cidade de verde, e então acompanhamos os locais no jogging, a rolar nos patins ou na pedalada da bicicleta. Porque aqui todos praticam qualquer coisa, seja ligados ao iPod, a empurrar o carrinho da criança ou a conversar com o parceiro do lado. É assim que se vive por cá, entre idas à praia e outras tantas reuniões de trabalho na agitação cosmopolita do geométrico Central Business District -uma vez aqui, parta à descoberta dos labirintos comerciais, que às vezes de­sembocam em becos e ruelas repletos de pequenos restaurantes e bares de gente gira.

Em números largos, no espaço de duas gerações de colonos, vin­dos sobretudo de Itália, Grécia, Rei­no Unido e Ásia vizinha, Melbourne (que chegou a ser capital australiana) deu passos de gigante e gerou mui­tas fortunas, várias delas arrecada­das no garimpo do ouro, a contribuí­rem para o crescimento relâmpago desta que é, em simultâneo, graciosa e modesta, contemporânea e tradi­cionalista, trepidante e relaxada.

É assim, num poço de contradi­ções, que a cidade se constrói e desconstrói, para explicar as cores gar­ridas e os traços rebuscadamente vitorianos da Flinders Station e de outra tanta arquitectura repleta de charme, desalinhada mas a fluir com arrojos arquitectónicos como os da Federatíon Square, palco de inúmeras actividades culturais e meetíng point privilegiado para todas as tribos da ci­dade. Este projecto futurista, inaugura­do em 2002 para comemorar o cente­nário da Federação Aussie, está a dois passos da cultura intensiva também em agenda permanente no Arts Cen­tre. E, uma vez aqui chegados, dá-se por meio caminho andado até à Sou-thbank Promenade, faixa ribeirinha pedonal que goza de boa vida e ligada à outra margem por uma miríade de pontes de todas as épocas. O cenário é pintado com agradáveis esplanadas e finíssimos espaços cheios de gente, como é o caso do enorme complexo Plaza e do Southgate Arts & Leisure Precinct, ambos delírios de qualquer cartão de crédito.

Com o atravessar para o outro lado do Yarra, encontra-se então ou­tra Melbourne, desta feita desenhada à régua e esquadro, onde as montras, as ruas, os edifícios, as gentes e os aromas são uma doce tentação. Nas principais artérias, respira o pulmão comercial, onde crescem portentos da arquitectura dos mais variados estilos, não fosse a própria cidade tão contemporânea e absorvedo

ra de culturas dos quatro cantos do mundo. Soberbos exemplares de Art Deco erguem-se em altura, como o caso do Manchester Unity Building ou do Myers Emporium; outros, na linha do impressionante conjunto do Magistrates Court, já mostram influ­ências neo-góticas e uns quantos tra­ços normando-romanescos.

Vindos do histórico Queen Vic­toria Market, as setas apontam para sul, e então atravessa-se o Yarra pela Swanston Street Bridge. First stop: National Gallery of Victoria, edifício sólido

construído em 1861, o que faz dele o maior e mais antigo es­paço de exposição artística de toda a Austrália. Está dado o embalo para uma cidade diferente daquela que se deixa para trás, não sem antes admi­rarmos o memorial aos australianos mortos durante a I Guerra Mundial, o Shrine of Rememberance, e as Victo­ria Barracks (século XIX), outro dos símbolos soberanos da região, ainda hoje ocupado por organismos públi­cos. Depois, o tram, eficiente embora ronceiro transporte que liga os pontos cardeais da cidade, será a melhor op­ção para continuar, bastando uma ou duas paragens para se ficar nas proxi­midades do Royai Botanical Garden, esplendor da Natureza pura com mais de 35 hectares, também local habitual para sessões de cinema ao ar livre.

Está dado o mote para uma cidade que em nada perde para outras mais conhecidas. Porque Melbourne é pai­xão à primeira vista…

Melbourne, Victoria

Noites Loucas

A terra prometida chama-se St. Kilda Beach. Em tempos uma estância balnear da elite local, tornou-se o ponto de encontro de todas as tentações, ora nas suas praias cheias de corpos estendidos ao sol, ora pela Adan Street fora e ruas vizinhas, que distribuem à esquerda e à direita bares, restaurantes e lojas de gostos variados.

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