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Enquanto percorríamos o caminho de pedra ao longo do Tejo interrogávamos-nos: “Mas será que a câmara construiu este soberbo paredão só para po­dermos caminharAlmourol thumb Os trilhos do Tejo ao longo do rio?!” Parecia corresponder a um enorme e exagerado investimento para um simples trilho pedestre, coisa que não estamos habituados a ver. E, na realidade, esta não foi uma construção recente com este propósito. Foi sim, o excelente aproveitamento que a Câmara Municipal de Nisa fez, em conjunto com outras entidades de um velho muro de sirga que servia para rebocar rio acima, a partir da margem, os barcos até Vila Velha de Rodão. Hoje, podemos caminhar neste troço duran­te três quilómetros,a partir da Barca da Amieira ate à barragem de Fratel. O caminho é muito bonito sendo a paisagem uma transição entre o nosso sul e o nosso norte, entre o Alentejo e a Beira Baixa.

Na margem norte, corre a linha férrea. Antiga­mente (até muito recentemente), o comboio parava neste apeadeiro para os passageiros descerem e acederem à margem sul e daí até à Amieira, mais isolada. O rio era atravessado por uma barcaça e daí o lugar se chamar a Barca da Amieira. Foi aqui que começámos o nosso percurso pedestre (PR1). No parque de estacionamento, um painel interpretativo dá-nos as informações essenciais: um percurso circular de dificuldade média, com 12,6 kms de comprimento e a realizar em, aproximadamente, 3 horas e meia. Tem também o mapa e dá-nos outras informações que, não sendo essenciais, nos enriquecem o passeio. Uma delas é a história que dá o nome ao nosso percurso pedestre, o Trilho das Jans.

As Jans eram umas mulheres invisíveis que fiavam um linho muito fino e sem nós. A lenda dizia que, “quem quisesse uma peça tecida pelas Jans teria que deixar deTejo thumb Os trilhos do Tejo noite o linho e um bolo de farinha de trigo a cozer na lareira. Terminado o trabalho, estas desapareciam misteriosamente levando consigo o petisco”. Conta-se também que, depois de morrer em Estremoz, o corpo da Rainha Santa Isabel, casada com D. Dinis, foi transportado desde a Amieira até aqui trajando um vestido de linho tecido pelas Jans. Caminhámos ao longo do nosso maior rio mas, no sentido contrário ao da corrente. Nesta sec­ção, as águas têm movimento, inclusivamente um rápido, e sugerem-nos um passeio combinado a pé e de caiaque, talvez numa próxima opor­tunidade. O caminho é exposto e, de vez em quando, no outro lado do rio, passa um comboio. Não sabemos se os passageiros nos vêem mas dizemos “adeus” na mesma. Imaginamos as pes­soas lá dentro, felizes na sua viagem panorâmica de comboio. Nesta parte do percurso há poucas sombras mas acabámos por encontrar um bom local para o pic-nic. Ao contrário do Tejo mais conhecido, onde as suas margens se perdem na extensão das lezírias, aqui o rio é estreito e as su­as margens são rochosas e inclinadas. As Portas de Ródão, a montante da barragem de Fratel, são o melhor exemplo deste fenómeno geológico. A cerca de 3 km do início, o paredão desaparece e dá lugar a um trilho mais desordenado pelo meio de pedras. Continuámos mais um pouco até avistarmos a ribeira de Figueiró. Aqui, deixámos de ver o trilho e subimos até uma pequena casa de pedra. Parámos para descansar um pouco e imaginámo-nos ali dois dias em contemplação. A vistaReserva Tejo para o Tejo era desafogada e bonita. Con­tinuámos pela subida a pique que mais parecia um corta-fogo. Do lado esquerdo, ao fundo, estava a barragem de Fratel e a albufeira por si formada. Num ponto mais acima, ofegantes, encontrámos outro painel interpretativo onde confirmámos a nossa localização. Aproveitámos para descansar. A partir daqui, caminhámos mais no Alentejo, por entre campos de pasto, azinhei­ras e sobreiros. Ainda apanhámos uma boleia dum tractor mas antes da Amieira pedimos ao condutor para parar. Nós queríamos mesmo era caminhar. Chegados à extremidade norte da Amieira, à estrada de alcatrão, virámos à direita e andámos até o sinal de trilho pedestre nos indicar a saída à esquerda, novamente para o caminho de terra. Descemos e, do lado esquerdo dum gancho, pudemos ver ao longe o castelo da Amieira, outra das atracções que merece ser visitada. Acabámos finalmente no nosso ponto de partida, a Barca da Amieira.

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turismo em 18 de Dezembro de 2009
categorias: Centro

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